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#005 Os abraços que Tex me deu!

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Na casa de dois dos meus dez primos, tínhamos horas e horas seguidas de um grande silêncio. Isso acontecia quando eles, eu e meus irmãos mergulhávamos literalmente nas coleções de gibis que os meninos tinham. Eram algumas centenas de exemplares. Eu e meus irmãos gostávamos de: eu de Turma da Mônica, o José, Chico Bento e o Marco, Cascão. Já meus primos, tinham outros estilos de leituras: Nosso Amiguinho, Garfield, Tio Patinhas e muitos gibis de super heróis, muitos! Quando eu queria saber algo sobre o Super-Homem ou alguma edição especial dos X-Men, eles eram os especialistas no assunto. Sempre foi muito comum o hábito de leitura na minha família, mas não necessariamente com livros. Eram gibis e revistas (numa época que elas eram as fontes de notícias importantes ou com as novidades e informações sobre curiosidades, sobre o mundo, na verdade). Minha mãe sempre gostou muito de uma que leio até hoje - Seleções (nome original Reader's Digest). Ela tem matérias sobre saúde, alguma av...

#004 O Aquaman sem tridente que enfrentou Catarina

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Se considerar profissionalmente, meu Pai trabalhou como pescador por mais de 50 anos - já se incluirmos a infância "brincando" de pescar (trabalho não remunerado por ser criança), aí passa de 60 longos anos.  Quando falamos de ser um pescador, muitos imaginam aquele "tiozinho" saindo às 04h00 da manhã, indo buscar o almoço da família. Pois é, meu Pai trabalhava em embarcações com aproximadamente 15 a 20 tripulantes.  Além de pescador, sua atividade principal era ser Motorista . "Aquele que guia o barco na cabine, do ponto mais alto da embarcação?" Não, eu te respondo.  É o profissional que é responsável pela Casa de Máquinas - na parte interna mais baixa do barco. E você ainda se pergunta quem é então o "cara" que fica lá no alto? Aquele é o Mestre que na hierarquia é o cargo mais alto, é o primeiro homem de bordo. E meu Pai, sendo motorista, é o segundo. Se algo acontecesse com o Mestre, meu Pai assumiria o comando.  Quando morei em Navegantes...

#003 Tem vezes que eu até GOSTO de GOSTAR de mim. Outras, não.

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  Você já duvidou de si mesma? Se achando incapaz, incompetente ou até mesmo despreparada? Confesso que pelo menos uma vez por dia, esse pensamento chega até mim. Ele vai embora (que bom!), mas sempre marca presença querendo me dizer alguma coisa, tentando constantemente me colocar num lugar que não me pertence, mas ele insiste em me levar, seja como for. Falo isso pois estou numa busca incansável de me conhecer melhor, de entender quem eu sou. Na verdade, de entender como minha cabeça funciona. Eu vejo detalhes que mais ninguém vê, percebo sons, comportamentos, lugares ou momentos que pra muitos passam despercebidos no dia a dia, em casa, no trabalho, na rua…na VIDA. E isso tem dois lados: um olhar obrigatório e quase dominante de estar atenta a tudo o tempo todo. E assim voa meu pensamento para muitos lugares, como por exemplo, flores. Já ouviu falar sobre uma flor que tem muitos nomes, entre eles “Boa-noite”, “Onze-horas” ou “Damiana” ? Aqui onde moro, em Aracaju, ela é m...

#002 Maria Bonita e sua vizinha SUDESTINA

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 A primeira vez que ouvi a palavra "sudestino" não tem muito tempo, talvez há uns dois anos atrás. Em um vídeo de humor, a história contada era sobre o novo contratado de uma empresa que faz uma vídeo chamada com seus dois novos colegas, e assim o chamam de "sudestino" . Dizem também adorar o seu sotaque. Entre "chimarrão e pão de queijo", as piadas sobre sua origem (no caso, o personagem é de São Paulo), seus colegas fazem o que (quase) todo sudestino faz: achar que vários estados com suas culturas distintas são de fato resumidos um único lugar.  E é exatamente assim que fazemos com o Nordeste: são nove estados, cada um com sua cultura, sotaque e raízes (além da "diversidade das diversidades" dentro de uma mesma região). Eu que sou nascida na Região Sul (mais especificamente em Santa Catarina), confesso que por quase toda vida tive essa mesma visão que meu coletivo popular ainda têm, que é de tratar as regiões Norte e Nordeste como um úni...

# 001 Porque lembramos de ESQUECER

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  Guardar uma memória lá no "fundo do baú" de nossa mente, muitas vezes não é esquecimento, é medo mesmo (ou quem sabe auto proteção, como queira). Temos tantas versões nossas, tantos "EUS" diferentes. Convidar um deles para um café e uma longa conversa sem pressa, pode ser uma boa ideia - acredite! Bom, esta sou eu: a Fabiana de 1998. Como eu estava feliz nesse dia! No auge dos meus 18 anos, recebi um convite para decorar um certo espaço de um núcleo de estudos marinhos em uma universidade de Santa Catarina. Já havia pintado em quadros e peças de madeira. Também nessa mesma época havia trabalhado em um ateliêr de peças de decoração e restauração de móveis. Além disso já tinha rabiscado a parede do meu quarto (na casa dos meus pais) com giz de cera e tinta látex - a contragosto, desespero e decepção da minha mãe, que a cada ida a este que era um dos poucos ambientes em que podia ser eu mesma, ainda assim era pequeno perto de tamanha proporção do espaço lib...