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#008 Enchentes transbordam. Bordas infinitas, não!

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  Depois da corrida volto caminhando pra casa. Ainda que geralmente refazendo o mesmo caminho, fico atenta em observar alguma diferença na paisagem ou até mesmo prestar atenção em algo que eu possa ter passado em frente - talvez,  dezenas de vezes e não tenha percebido ainda. Uma casa, um novo comércio, uma árvore ou uma placa qualquer. No trajeto também observo o crescimento acelerado da construção civil nas proximidades da Orla de Atalaia. Sendo assim há um grande investimento na divulgação de anúncios dos novos residenciais, os chamados “Lar dos seus sonhos” ou “More a poucos metros do mar” . Há poucos dias notei a mudança na imagem em uma das placas de outdoor. Agora a foto é de uma mulher em uma daquelas piscinas de “borda infinita” . Ela estava de perfil, com a água quase na altura dos ombros. Os dois braços apoiados no beiral como quem observa o horizonte em uma daquelas paisagens com céu muito azul, nuvens brancas e uma belíssima vista pro mar! Não sei bem explicar,...

# 007 No caminho encontro Vitório

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Marcava cinco e pouco da manhã. Da minha casa até a praia, era seguir em linha reta por mais ou menos um quilômetro. Roupa de corrida, tênis e lá fui eu. Quase chegando no final da rua, encontrei uma pessoa caída no meio fio, deitada no chão entre a calçada e a rua, bem em frente a um bar que naquele momento estava fechado.  Era uma mulher na faixa dos seus quarenta e tantos anos, vestida com o que parecia ser um uniforme. Tinha um bordado da logo da empresa na camisa de gola polo. Perto dela, uma pequena bolsa rosa, um celular e um cãozinho sentado ali, como um guardião que esperava por ajuda.  Não tive como simplesmente passar e fingir que não a vi. Parei pra abordá-la, tentando reanimá-la dizendo “Moça, moça…oi. Moça…vem, eu te ajudo a levantar. Vamos sair aqui da rua, vamos sentar ali na calçada.” Aos poucos ela foi acordando, ainda muito confusa, mas consegui que ela se sentasse no canto da calçada, longe da rua. Juntei sua bolsa e seu celular. Em seguida, um caminhão est...

#006 Vivendo uma dor assistida

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Nunca gostei de falar sobre morte. Perder um ente querido, saber que alguém morreu - mesmo sendo um desconhecido, sempre foi um assunto que me paralisava e que eu sempre preferi “evitar” confrontar.  Na minha infância dos anos 80 de cidade do interior, era muito comum a presença de crianças acompanhando seus pais em cerimônias como velórios. Todos aqueles adultos, conhecidos e desconhecidos conversando o tempo todo. Alguns chorando, outros não. Flores, muitas flores. Pessoas relembrando de momentos da vida de quem partiu. Risadas (que eu achava muito estranho pois não entendia como poderiam rir tendo uma pessoa ali sendo velada). Eram eventos em que os ponteiros do relógio nunca andavam, marcando aquelas horas intermináveis.  Entre os 6 e 8 anos vi a partida dos meus avós paternos. Me dei conta outro dia que meu Pai não tinha nem 40 anos quando perdeu seus pais (eram 37 na partida da minha avó e 39 anos na do meu avô). Com minha mãe, várias vezes eu e meus irmãos fomos a vel...